Ao menos 69 parlamentares eleitos para a Câmara dos Deputados e ao Senado no último domingo respondem a processos por diversos crimes, como desvio de dinheiro, corrupção, fraude em licitações e crimes ambientais, mostra levantamento feito pelo UOL.
Há pelo menos 33 deputados e senadores réus em ações penais e 36 investigados em inquéritos criminais em andamento na Justiça, ainda sem denúncia formalizada. Arredondando, é como se a cada nove parlamentares, um estivesse sendo investigado.
A maioria dos processos envolve dinheiro público. Entre os réus, ao menos 20 respondem por crimes como peculato, corrupção, desvio de verbas e fraude em licitação.
Boa parte dos casos é da época em que os eleitos eram prefeitos ou secretários municipais. Há também acusações de violência doméstica, injúria racial e crime ambiental.
Os citados foram procurados pela reportagem —nos casos em que não houve resposta, o espaço segue aberto para posicionamentos.
Desvio de dinheiro
O líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões (AL), reeleito, é réu acusado de peculato, por exemplo.
A suspeita é de que ele teria desviado verba de gabinete na Assembleia de Alagoas com notas e recibos fictícios quando era deputado estadual.
Os fatos são de 2014, e outro investigado assinou um acordo de não-persecução penal confessando os crimes. O deputado teria desviado R$ 242 mil em benefício próprio, segundo a promotoria.
Alguns deputados respondem por mais de um processo. É o caso do empresário Felipe Show (União-AP), deputado eleito, réu em três ações na Justiça do Amapá.
Outros crimes
Os deputados eleitos Wilson Santiago (Republicanos-PB), Junior Lourenço (MDB-MA), Jadyel Alencar (Republicanos-PI), Elmo Vaz (Avante-BA), João Maia (PP-RN) e Felipe Show (União-AP) são réus acusados de fraude em licitação.
Já o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), reeleito, é réu por violência doméstica.
Sidney Leite (PSD-AM), também reeleito, responde a um processo por suspeita de desvio de dinheiro da Manausprev, previdência dos servidores públicos do município de Manaus.
Leite é ex-secretário municipal de Manaus. Procurado, o deputado nega qualquer irregularidade e diz que está com a “consciência tranquila” em relação ao processo.

